O Customer Effort Score (CES) é a métrica que mede quanto trabalho o cliente teve para resolver um problema com a sua empresa. Ele sai de uma pergunta só, feita logo depois do atendimento, e o resultado aponta para um ponto específico do processo, e não para a opinião geral que o cliente tem da marca.
É por isso que ele responde uma pergunta que o NPS e o CSAT não respondem: onde o cliente travou. Uma nota baixa de CES não diz que o cliente está insatisfeito; diz que a etapa que ele acabou de atravessar exigiu esforço demais, e mostra qual etapa foi.
Este guia traz a pergunta padrão, as escalas usadas, o cálculo passo a passo com números, como ler o resultado, em que momentos o CES funciona melhor que as outras métricas e como montar a pesquisa na prática.

- De onde veio o CES e por que ele prevê lealdade melhor que encantamento.
- Como escrever a pergunta de esforço e por que a direção da escala não pode variar.
- O cálculo pela média, com números, e a leitura em percentual que a média esconde.
- Por que uma nota baixa aponta defeito de desenho, não falha da equipe.
- Os três momentos da jornada em que essa medição rende mais.
- As quatro decisões que antecedem o primeiro disparo.
O que é o Customer Effort Score
Customer Effort Score é uma métrica de processo: mede o esforço que o cliente precisou fazer para concluir uma interação, seja abrir um chamado, trocar um produto, entender uma cobrança ou ativar um serviço. Quanto menor o esforço, melhor o resultado.
A métrica nasceu em 2010, de uma pesquisa do CEB (hoje Gartner) publicada na Harvard Business Review no artigo “Stop Trying to Delight Your Customers”, de Matthew Dixon, Karen Freeman e Nicholas Toman. O estudo analisou mais de 75 mil interações de atendimento e chegou a uma conclusão que contrariava o senso comum da época: reduzir o esforço do cliente previa lealdade melhor do que tentar encantá-lo.
Essa é a ideia que sustenta o CES até hoje. O cliente não precisa ser surpreendido; ele precisa que a coisa funcione sem que ele tenha que insistir.
A pergunta que o CES faz
A formulação original do CES 2.0 não é uma pergunta, e sim uma afirmação com a qual o cliente concorda ou discorda:
“A empresa tornou fácil resolver meu problema.”
O cliente responde numa escala de concordância de 1 a 7, em que 1 é discordo totalmente e 7 é concordo totalmente. O formato de afirmação existe por um motivo prático: pedir que a pessoa confirme ou refute uma frase produz resposta mais honesta do que pedir que ela avalie o próprio esforço.
Uma variante direta, “Quão fácil foi resolver seu problema hoje?”, funciona bem quando a pesquisa vai por SMS ou QR Code e o espaço é curto. O que não pode mudar é o objeto: a frase fala do processo, não do atendente e não da marca. Se você quiser afinar a redação antes de disparar, vale olhar as perguntas para pesquisa de satisfação e adaptar o modelo ao seu contexto.
As escalas usadas — e por que a direção importa
A escala original do CES vai de 1 a 7. Na prática, a mesma medição também roda em faixas menores, de 1 a 5, porque a resposta fica mais rápida em canais curtos. O método não muda com a faixa.
O que muda tudo é a direção. Em CES, nota alta significa pouco esforço, ou seja, resultado bom. Se numa pesquisa 5 quer dizer “muito fácil” e na pesquisa seguinte 5 quer dizer “muito difícil”, os dois números deixam de ser comparáveis e a série histórica perde o sentido.
Duas regras resolvem isso, e valem para qualquer faixa:
- Uma direção só: nota alta é sempre menos esforço. Escreva os rótulos das pontas na própria pergunta, para o cliente não precisar adivinhar.
- Uma faixa só: escolha 1 a 5 ou 1 a 7 e mantenha em todas as medições. Trocar de faixa no meio do caminho quebra a comparação entre períodos.
Como Calcular o CES
O cálculo do CES é uma média simples: some as notas recebidas e divida pelo número de respostas.
CES = soma das notas ÷ número de respondentes
Exemplo de cálculo, passo a passo
Uma rede de academias dispara a pesquisa depois de cada solicitação de troca de plano, numa escala de 1 a 5, em que 5 é “muito fácil”. Cinco alunos responderam:
- Aluno 1: 5
- Aluno 2: 4
- Aluno 3: 5
- Aluno 4: 3
- Aluno 5: 4
Passo 1, somar as notas: 5 + 4 + 5 + 3 + 4 = 21
Passo 2, contar os respondentes: 5
Passo 3, dividir: 21 ÷ 5 = 4,2
O CES dessa troca de plano é 4,2 numa escala de 1 a 5. Como a direção é “nota alta, menos esforço”, 4,2 indica um processo que a maioria atravessou sem travar.
A variação por percentual
A média esconde a distribuição. Um CES de 4,2 pode vir de respostas concentradas em 4 e 5, ou de metade das pessoas dando 5 e a outra metade dando 3, e essas duas situações pedem ações diferentes.
Por isso vale acompanhar, ao lado da média, o percentual de respostas nas notas altas. No exemplo acima, quatro dos cinco alunos deram 4 ou 5: 80% de respostas de baixo esforço.
Os dois números juntos dizem mais do que qualquer um deles sozinho. A média mostra o nível; o percentual mostra quantas pessoas ficaram para trás, e é sobre elas que a ação de melhoria se constrói.
Como Interpretar o Resultado
A leitura do CES aponta para o processo, não para a pessoa. Nota baixa não quer dizer cliente insatisfeito nem atendente ruim: quer dizer que aquela etapa exigiu mais do cliente do que deveria.
Essa distinção muda o que você faz com o número. Diante de um CES baixo, a pergunta certa não é “como melhoramos o atendimento?”, e sim “quantos passos, telas, esperas e reenvios esse cliente teve que atravessar?”.
Comece por três leituras:
- Comparar o processo com ele mesmo, ao longo do tempo. O valor absoluto isolado diz pouco. O que informa é a série: o CES da troca de plano subiu depois que você reduziu o formulário de três telas para uma?
- Isolar por etapa, não por área. Medir o esforço do “atendimento” inteiro devolve um número que ninguém sabe usar. Medir o esforço da troca, do cancelamento e do primeiro acesso separadamente devolve três alvos.
- Ler os comentários das notas baixas primeiro. A nota diz que houve atrito; o texto aberto é onde o cliente conta em que ponto ele foi.
Uma nota baixa recorrente na mesma etapa é sinal de defeito de desenho, não de execução. É o tipo de achado que se resolve tirando um passo do caminho, não pedindo mais empenho de quem atende.
Quando o CES é a Métrica Certa — e Quando não é
O melhor momento para medir esforço é logo depois de uma interação com começo, meio e fim, enquanto a experiência ainda está fresca. Fora desse recorte, o CES perde precisão.
Os momentos que pedem CES
- Pós-atendimento: depois de um chamado de suporte resolvido, para saber quanto custou ao cliente chegar à solução.
- Pós-troca ou pós-cancelamento: processos burocráticos por natureza, em que o atrito é alto e quase nunca é medido.
- Pós-onboarding: depois do primeiro acesso ou da primeira compra, para descobrir onde o cliente novo empaca.
O que o CES não responde
Lealdade e satisfação geral ficam fora do alcance do CES. Um cliente pode ter resolvido o problema com facilidade e mesmo assim não recomendar a sua empresa, porque a decisão de recomendar envolve preço, produto e reputação, coisas que a pergunta de esforço não toca.
Também não faz sentido usar CES em pesquisa de relacionamento, aquela que vai para toda a base sem um evento por trás. Sem uma interação recente e concreta, o cliente não tem o que avaliar.
Nesses dois casos, a métrica é outra: o cálculo do NPS responde sobre recomendação e relacionamento, e o cálculo do CSAT responde sobre a satisfação com uma entrega específica. Se você ainda está escolhendo por onde começar, o comparativo entre NPS, CSAT e CES coloca as três lado a lado com os momentos de aplicação de cada uma.
Como Montar a Pesquisa de Esforço na Prática
Montar uma medição de esforço leva quatro decisões, e nenhuma delas é técnica:
- Escolha um processo. Um só, com começo e fim claros — a troca, o cancelamento, o primeiro acesso. Medir tudo de uma vez devolve média sem alvo.
- Defina o gatilho. A pesquisa sai quando aquele processo termina, não em data fixa. Esforço se mede com a memória fresca.
- Escreva a pergunta e fixe a escala. Uma afirmação sobre a facilidade do processo, com os rótulos das pontas escritos e a direção sempre igual.
- Combine com quem age. Antes do primeiro disparo, defina quem lê as notas baixas e em quanto tempo. Medição sem dono vira relatório.
No Fala Cliente, a pergunta de esforço entra numa pesquisa disparada por e-mail ou SMS, ou respondida por QR Code, com o envio ligado ao sistema que a empresa já usa. As respostas ficam reunidas num lugar só e disponíveis para exportação.
Quer descobrir onde o seu cliente está travando?
Crie a pesquisa, defina o gatilho e comece a medir o esforço de cada processo.
Comece Medindo um Processo Só
Medir esforço é a forma mais barata de começar a ouvir cliente, porque exige uma pergunta e um gatilho. E o Customer Effort Score aponta para uma etapa concreta do processo em vez de uma percepção difusa, o que deixa o achado pronto para virar ação.
Escolha o processo que mais gera reclamação hoje, dispare a pergunta de esforço por trinta dias e leia o que veio escrito nas piores notas. Se o mesmo ponto de atrito se repetir, o ajuste é tirar um passo do caminho, e esse é um ajuste que a operação consegue fazer sozinha, sem projeto.
Perguntas Frequentes
O que é o Customer Effort Score?
O Customer Effort Score (CES) é uma métrica que mede o esforço que um cliente precisou fazer para concluir uma interação com uma empresa, como resolver um chamado ou trocar um produto. Criado em 2010 pelo CEB (hoje Gartner), ele aponta para o atrito de um processo específico, e não para a percepção geral da marca.
Qual é a fórmula do Customer Effort Score?
O CES é a soma das notas recebidas dividida pelo número de respondentes. Se cinco clientes deram 5, 4, 5, 3 e 4 numa escala de 1 a 5, a soma é 21 e o CES é 4,2. O percentual de respostas nas notas altas complementa a leitura: no mesmo exemplo, é de 80%.
Qual escala usar para medir o CES?
A faixa de concordância de 1 a 7 vem da formulação original do CES, e a de 1 a 5 é usada para encurtar a resposta em canais como SMS e QR Code. O que não pode variar é a direção — nota alta sempre significa menos esforço — nem a faixa escolhida, sob risco de perder a comparação entre períodos.
Qual a diferença entre CES, NPS e CSAT?
O CES mede o esforço que o cliente teve num processo específico. O NPS mede a disposição de recomendar a empresa e serve para relacionamento. O CSAT mede a satisfação com uma entrega ou atendimento pontual. As três respondem perguntas diferentes e se aplicam em momentos diferentes da jornada.
Quando aplicar a pesquisa de Customer Effort Score?
Logo depois de uma interação com começo e fim definidos: um chamado de suporte resolvido, uma troca de produto, um cancelamento ou o primeiro acesso de um cliente novo. O disparo é por evento, não por data fixa, porque a avaliação de esforço depende da memória recente da experiência.
O que fazer com um CES baixo?
Tratar como defeito de desenho do processo, não de execução da equipe. Isole a etapa medida, abra o texto aberto das piores avaliações para localizar o ponto de atrito e conte quantos passos, telas ou esperas o cliente atravessou. A correção está em remover um passo do caminho, não em pedir mais empenho de quem atende.



